Nova no bairro
Sinto vontade de escrever, de registar, mas continuo a olhar para o papel, para o cursor a piscar no ecrã e não sei o que escrever neste novo “bairro” que escolhi para viver, pelo menos nos próximos tempos.
Quando comecei a escrever no blogue, escrevia para mim, para registar, sem estar preocupada com o número de leitores. No entanto, comecei a entrar na comunidade do SAPO Blogs e fazia sentido estar ali, escrever e partilhar algumas coisas, receber algumas respostas nem que fosse um “Bom dia!” ou “Boa semana!”.
Agora, neste cantinho para
onde mudei, sinto-me isolada.
Em tempos, vivi num prédio
com seis apartamentos em que as pessoas cumprimentavam-se nas escadas e mal
sabiam o nome dos vizinhos. Fazia-me alguma confusão, mas era assim o relacionamento
entre as pessoas e aprendi a aceitar.
Quando mudei de casa, para uma zona diferente, de casas geminadas e vivendas, tive uma agradável surpresa. Os vizinhos conhecem-se de uma vida inteira, cuidam uns dos outros e quem chega é acolhido. Trocam-se laranjas, limões e pequenos mimos no Natal e há sempre tempo para uma pequena conversa. Sei que ajuda andar a pé e cumprimentar diariamente as pessoas, mesmo que não as conheça. Sei que ter uma cadela, que só quer cumprimentar os humanos, é um forte desbloqueador de conversa. No entanto, a realidade é que pessoas que nunca respondiam, já dizem “Bom-dia!” após tanta persistência em cumprimentá-las diariamente.
Desde que saí do SAPO Blogs, sinto que deixei a minha rua e voltei para um prédio. Agora, meia perdida na casa nova, estou à procura do meu espaço e de perceber como funcionam as novas dinâmicas de vizinhança.
Alguns poderão dizer que existem muitas redes sociais, onde a interação é mais fácil. Não é essa interação que gosto. Noutros posts referi que gosto do silêncio do blogue, da escrita com tempo e ao meu ritmo. Mas, também, gosto de perceber que existem alguns leitores do outro lado e talvez se identifiquem com aquilo que escrevo, tal como me identificava com muitos textos do “bairro” do SAPO.
Enquanto escrevia este texto, lembrei-me de um post que escrevi, em agosto de 2025, com o título "Quem escreve, quer ser lido!, em que refletia sobre a escrita em blogues, a partir de um excerto que li no livro “Viradas do Avesso”. Retomo esse post e a citação que desencadeou o texto.
“Quem
escreve quer ser lido, e não há outra verdade além dessa. Sentir que o que
dizemos importa, o que escrevemos ser reconhecido como válido por pessoas que
nem sabemos quem são faz-nos sentir que temos um lugar no mundo. Que há um
papel que nos está destinado e que não somos apenas um grão de areia perdido na
praia. De repente, há quem espera pelo que temos a dizer, há quem nos sinta a
falta se estivermos mais tempo do que o costume sem publicar. Um sentimento a
que não estava habituada. E era bom.”
em "Viradas do
Avesso" de Joana Kabuki, págs. 140-141
Neste tempo incerto, em que
procuro perceber qual o caminho para esta morada recente, este excerto faz todo
o sentido para mim. Agora é aceitar o espaço, cumprimentar os vizinhos e talvez
um destes dias alguém bata à porta e diga “Bom dia, boa semana!”.
Até breve e boa semana!
Eu também sinto essa distância.... por isso ando à procura dos meus antigos 'vizinhos'... procurar cada cantinho e conversar!!!
ResponderEliminarBeijinhos
Maribel
Educar(com)Vida
Olá Maribel. Bem-vinda e obrigada pelo comentário. Esta distância entre antigos vizinhos não é muito fácil de gerir. Um beijinho.
ResponderEliminarTambém me sinto assim... vazia, num lugar estranho... Não gosto de redes sociais, sempre admirei a blogosfera, mas depois do Sabo Blogs não sei, sinceramente. Foi uma experiência única. Neste momento, sinto-me um pouco perdida e só espero que a comunidade do Sapinho volte a reencontrar-se..
ResponderEliminarTudo a correr bem por aqui e até já.
Obrigada pelo comentário. Acho que a maior parte das pessoas que escreviam no Sapo Blogs partilha o mesmo sentimento e concordo que foi uma experiência única. Continuo cheia de dúvidas se vale a pena escrever neste novo espaço, mas por enquanto vou continuar por aqui. Um beijinho e até breve.
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