Deus-menino


Lá estava o Deus-menino de braços abertos. Nu, pobre, vazio e friorento como ele. Nem as luzes da loja, nem as falsas estrelas conseguiam esconder a sua pobreza e solidão. Lumbiá olhava. De braços abertos, o Deus-menino pedia por ele. Erê queria sair dali. Estava nu, sentia frio. Lumbiá tocou na imagem, à sua semelhança. Deus-menino, Deus-menino! Tomou-a rapidamente em seus braços. Chorava e ria. Era seu. Saiu da loja levando o Deus-menino. O segurança voltou. Tentou agarrar Lumbiá. O menino escorregou ágil, pulando na rua.


O sinal! O carro! Lumbiá! Pivete! Criança, Erê, Jesus Menino. Amassados, massacrados, quebrados! Deus-menino, Lumbiá morreu!



em "olhos d'água" de Conceição Evaristo, pág. 114


Advento #11 

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