Aurora
A mãe de Dalva tinha nome de amanhecer: Aurora. O nome que ela ganhou ao nascer, foi sendo conquistado ao longo da vida. Aurora iluminava as pessoas, as coisas, as tarefas mais banais. Via graça em tudo o que fazia, ao contrário de só querer fazer o que via graça. Enchia a boca para dizer: É para varrer? Vamos varrer, se você dança com a vassoura, ela dança com você. Se é para lavar, lave, que a alma sai limpa do esforço. Sofrer com miudeza é querer ser infeliz, ignore o cisco. Se o corpo cansa, dê a ele um tempo, quase tudo pode esperar. Nunca lamentava, dava um jeito de trazer a alegria para perto. E como o rio corre para o mar, a alegria sempre dava um jeito de amanhecer com Aurora.
em "Tudo é Rio" de Carla Madeira, pág. 73
Advento #1
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