Onde crescem os limoeiros

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(imagem retirada daqui)


Salama, jovem estudante de Farmácia, vive na cidade de Homs (Síria) com a sua família e um futuro auspicioso pela frente.


Um ano depois Salama é voluntária num dos hospitais da cidade Homs, destruída pela guerra civil. A mãe morreu, o pai e o irmão foram presos, provavelmente sujeitos a todo o tipo de torturas, em que morrer será uma bênção.


Salama luta diariamente no hospital para ajudar aqueles que precisam, vítimas de constantes e hediondos ataques. Laya, a sua melhor amiga e cunhada está grávida e as duas procuram sobreviver numa cidade à beira do colapso. Deverão partir e abandonar o país na procura de um local seguro e juntarem-se aos milhares de refugiados que atravessam o Mediterrâneo?


A história de Salama é uma porta de entrada para a guerra da Síria e que porta! Um livro muito intenso, com descrições impactantes sobre o que é ser voluntária num hospital em cenário de guerra, com recursos escassos, em que os feridos e os mortos aumentam diariamente e é impossível tratar de todos aqueles que são vítimas dos ataques.


Ler este livro, nestes dias (outubro de 2023), com a presença das imagens diárias que vejo na televisão foi intenso, muito intenso. O livro transportou-me para um cenário de guerra, morte, desespero e para uma luta desigual pela sobrevivência. No entanto, em simultâneo, existe uma vontade muito forte de sobreviver e viver num país livre e este livro é uma história de amor pela Síria, pelo seu passado, em que a hipótese de partir e abandonar a sua cidade, a sua terra, em luta pela liberdade, é um sentimento perturbador.


Esta é igualmente uma história de amor entre Salama e Kenan, um rapaz de 19 anos que um dia aparece no hospital com a irmã ferida. Kenan quer ficar na Síria e lutar com as armas que tem: uma câmara de filmar e um computador.


Como pode uma jovem de 18 anos vislumbrar as cores da vida no meio de tanta morte, desespero e luta pela sobrevivência?


Salama é uma personagem que ficará comigo e este é também um livro que não esquecerei tão depressa.


“É o preço de um futuro em liberdade, Khawf. É o preço que o Hamza está a pagar todos os dias. Mas sou síria. Esta é a minha terra e, tal como os limoeiros que aqui crescem há séculos, o sangue derramado não nos deterá. Tenho fé em Deus. Ele há de proteger-me. Têm-me imposto a tirania, mas não podem obrigar-me a engolir o seu sabor ácido. Aconteça o que acontecer.” (pág. 221)


Boas leituras!

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